Segunda-feira, Outubro 19, 2009

a palavra manda nimim.

.escrever é um ato de compartilhar, de passar adiante. em palavras você conta como era, como queria que fosse, detalhando aquilo viu, viveu, sentiu. você simplesmente conta. a palavra constrói, explica, faz sonhar ou chorar. a palavra move. alinhavando momentos delicados, as conjunções unem, o ponto para, a vírgula respira. a palavra vive. pulsa, grita ou cala.
.a palavra é passo. é pé ante pé contando histórias. e o livro calça. junta tudo e protege. magicamente guarda. atesoura. abraça.
.meu sonho é compartilhar, é colocar o meu sentimento e a minha imaginação no mundo. é fazer aquele que está distante ler. o homem de longe, o branco, o negro, o vermelho, o verde. meu sonho é alcançar. fazer meu livro andar durante anos, por todos os lugares. meu sonho é fazer meu livro virar sapato, sandália, sapatilha, bota. é fazer dele instrumento, ensiná-lo a andar.

Sexta-feira, Julho 10, 2009

simples

para evitar a porra da saudade é melhor não amar e por sua vez,
te indica que é melhor morrer.

sale

a densidade profunda de tuas palavras, emerge da delicada boca sorridente.
ao que me alegra e me ronda, ouvir de ti, tais murmúrios.
que tipo de poesia decifra teus olhares?
como saber o que queres?
porque não conseguimos escapar dessa energia que mata e... une?

partes de um coração que se despedaça e pulsa. sagüinário e vermelho.
saberiamos contar estórias se a vida pudesse ser justa, se tivessemos a
quem culpar.
agora só nos resta o lamento, de quem se ama e se vende.

Quinta-feira, Outubro 30, 2008

bilhetinho #2

o sentimento foi o meu elo perdido entre a razão e o ser, baby. as coisas não fazem mais tanto sentido como antigamente, tudo parece estar ajustado naquela equação: lovemetender lovemetrue. viver o sentido dói na alma, dilacera a palma da mão e te causa rebuliços matinais- tipo - "descoberta do amor romântico".
tudo o que é novo, tende para o lado fantástico... parece que morrer de amor é a coisa mais linda desse mundo

Quinta-feira, Outubro 02, 2008

a chuva

é aquilo que cai de não sei onde e faz as coisas crescerem. ou morrerem.
é o batizado das lágrimas de alguém, para o corpo bento de quase todos nós.
é a purificação divina da poeira sobre os carros, do cinza sobre as folhas, da baba sedenta de certas bocas.
pode vir um dia inteiro, muitos dias, todos os dias, ou nunca.

mistura-se a rapidez da fuga de um e o banho cantante de outros.
pode ser raro ou rotina.
é a poderosa fonte invertida, que faz brotar o ar que respiramos e que mesmo assim negamos.

é o pinga-pinga, a goteira, o vazamento, o gesso.
a caridade de uns e a calamidade de outros.

é o que divide o mundo.
e eu li " o mundo se divide naqueles que usam ou não guarda-chuvas "

é só água.

Quinta-feira, Abril 24, 2008

a saia

era cinturada, tinha uma barra de tecido estampado com minúsculas florzinhas em tons de roxo. na lateral direita dois botões de madrepérola minúsculos. o rodado de toda ela, era de um algodão de um antigo vestido da irmã mais velha. a cor era um alavandado meio gasto. fazia um movimento godê lindo e a própria irmã achou que se parecia com o sino da igrejinha. e quando ela rodava, parecia que do balanço saia um som afinado de sininhos de natal. a barra de baixo era de seda lilás fim-de-tarde, costurado com grandes pontos de linha branca pura. seguiam-se lindas, grossas e brancas pernas de moça, que terminavam delicadas em pezinhos que eu carinhosamente chamava de ' meus lírios '

" isto é bossa-nova, isto é muito natural "

ensaio sobre qualquer coisa 1

da tristeza de não ter marias, nem laurinhas, montei em mim vários retratos de uma tristeza desmilinguida e desconjuntada.
lamentação-ões de um bilhão de coisas que fiz e também daquelas que não tive coragem. mas que devia ter feito.
gotinhas doces e quentinhas dos mesmos inquietos olhos que observam atento o mundo que um dia também já foi rosa e cada vez mais se torna apático ...

daquele mesmo mundaréu que invade a gente, finge que devasta e pede reza.

é tudo triste da porta pra dentro.

" capacete devia era ser no peito "

Hilda Hilst

" fiz 2 poemas a Dionísio "

Quarta-feira, Abril 16, 2008

paúra

sabe-se lá de onde veio tanta acidez.
vai chegar o dia em que vais querer doer, doer bem forte em alguém.
daí eu vou te mostrar (...) de nada vai ter adiantado tanta verticalidade,
tanta entrega.
se tua insegurança sou eu, tu te aquetas...porque eu sou só paúra.

afinadouro

de mim:
( uma imensidão de imagens em preto e branco e de pensamentos cheios de palavras açucaradas estão da porta para dentro, criando sensações novas que nós sabemos que sempre existiram )
para você.
um grande plano ousado onde casamos as minhas e as suas.um grande plano colorido pelos seus retalhos, que costura palavras e grita ação.
o filme vai ser romântico.

Ritinta

ela refletiu sobre o que tinha,
o que faltava, o que não queria,
o que não prestava.
.
ela se cansou do barulho impregnante da tv da sala,
era a voz fina de Mary dizendo: - te amo, te amo Josh.
.
ela se cansou do silêncio da alma,do oco e do seu grito de ajuda
que não fazia eco.
.
desvencilhou-se do imóvel, do contrato, do documento e
do compromisso.
ganhou um mundo maior do que Iguatu e um desejo de fugir maior
do que o desejo de morrer.
.
a busca circular só começava e o desejo era frenético.
o mundo estranho lhe recebia e ela sorria.
.
cômoda e cansada,
sentada no bar, fumando um ilegal,
ela ouviu uma canção do Roberto e gostou de não ser ninguém.

EM

" é meu desespero - camuflado - de qualquer coisa, você entende. "


bourbon e chet baker, esta tarde

armando lamentou ao som de nina simone

já tem tempo
tu não está vindo
e eu já não sei mais se quero
foram tantos planos e tantas mulheres que passaram por mim
.
nenhuma tinha a tua
nenhuma tinha a nossa
nenhuma era
.
o sol nasce
e vai embora
eu só me canso e não te vejo
.
um cigarro um café
meu sonho
e aquelas tuas pernas
uma caixa de vime guarda boas lembranças de papel
e eu só te espero
e te quero

bilhetinho

o sentimento foi o meu elo perdido entre a razão e o ser, baby. as coisas não fazem mais tanto sentido como antigamente, tudo parece estar ajustado naquela equação: lovemetender lovemetrue. viver o sentido dói na alma, dilacera a palma da mão e te causa rebuliços matinais- tipo - "descoberta do amor romântico". tudo o que é novo, tende para o lado fantástico... parece que morrer de amor é a coisa mais linda desse mundo

de um tempo

e do que eu me lembrava, era absolutamente de tudo
da forma
do cheiro
da cor.
como arrumava o cabelo, como arrumava a barra do vestido.
como passava batom, como dava o melhor último olhar.
como sorria e jogava a cabeça para trás.
.
não notei grandes mudanças.meu amor era o mesmo, quiça maior.

o que sobrou do sal

esperar o vento neutro,
ir lá fora, adivinhar desenhos nas nuvens
tingir as rosas vermelhas
borrar as cores falsas,
colar as pétalas de uma nova flor. Refazer.
.
no intro-útero,
consumir as paredes, para sangrar a carne
e pôr sal para estancar a dor.
Peneirar as vontades e o obrigatório: para selecionar o que vai ser
filho.
.
separar o que vai ser morto
e o que vai ser mar.
peneirar o mar morto, para separar por quilo, e vender caro para o
salário mínimo.
.
sem o choro da vela, sem a missa.
sem a benção, sem as suas juras poucas.
enterrar o que se decidiu morto,
para
.
chorar no sétimo dia
tentar esquecer no oitavo
apaixonar-se no nono
desapaixonar no décimo.
.
.
.
Pule do décimo primeiro.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

& passaram-se quantas horas . . . . falando tanto e rindo sem caber

a mangueira fazia uma sobra lilás e eu te dizia para não fazer um vendaval de dois respingos d'água

. . . .


" se eu for lutar, eu vou é lutar por ela "